Mafra, Saramago… e a Música!

Na mais bela biblioteca do mundo, integrada no monumento que serviu de inspiração à obra maior do Nobel da Literatura português, o espetáculo “Saramago e a Música” encerrou o Festival de Música de Mafra “Filipe de Sousa”, integrando dois singulares momentos: uma palestra sobre o prosador que escutava a “música das palavras”; e um recital de violoncelo (o seu instrumento de eleição), sublimemente tocado pelo virtuoso artista russo Pavel Gomziakov, acompanhado ao piano por Gabriela Canavilhas e Adriano Jordão, intérpretes portugueses de excelência.

Na primeira parte, a musicóloga Tânia Valente abordou a relação do escritor com a arte musical, patente na sua obra literária e, em especial, no “Memorial do Convento”, onde a música do compositor Domenico Scarlatti ajudou a passarola a voar. Ainda nesta primeira parte, que ficou também marcada por apontamentos pela soprano Ana Tomás e pelo projeto “Mikroduo” (guitarras), foram recordadas as palavras do Nobel da Literatura, que enumerou compositores de referência e identificou o seu instrumento de eleição: “o violoncelo, a minha debilidade”.

Na segunda parte, o violoncelista russo Pavel Gomziakov e os pianistas portugueses Gabriela Canavilhas e Adriano Jordão proporcionaram, ao público presente, momentos de rara beleza musical. Com arte e mestria, interpretaram um exigente repertório da autoria dos compositores Chopin, Schubert, Liszt e Beethoven, criteriosamente selecionado para esta homenagem a José Saramago.

Assim chegou ao fim a terceira edição do festival organizado pela Câmara Municipal de Mafra e pela Fundação Jorge Álvares, a qual se distinguiu por três grandes novidades: a originalidade na escolha do repertório; a crescente internacionalização dos intérpretes; e a valorização da ligação entre Mafra e José Saramago, num desafio que uniu a palavra à música.

Espetáculo de encerramento do Festival de Música de Mafra "Filipe de Sousa" 2018